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Otosclerose

A otosclerose é uma alteração do osso que envolve o ouvido e que trava o estribo — o menor osso do corpo humano. O resultado é uma perda auditiva progressiva que, na maioria dos casos, tem tratamento.

O que é

Dentro do ouvido médio, três ossinhos (martelo, bigorna e estribo) transmitem o som do tímpano até o ouvido interno. Na otosclerose, ocorre um remodelamento ósseo anormal ao redor do estribo, que vai ficando fixo e deixa de vibrar. O som passa a chegar com menos força — e a audição cai aos poucos.

É uma das causas mais comuns de perda auditiva adquirida em adultos jovens, aparecendo em geral entre os 15 e os 45 anos, muitas vezes nos dois ouvidos. Pode vir acompanhada de zumbido e, mais raramente, de tontura. Em muitas famílias há mais de uma pessoa com o mesmo problema.

Ilustração dos três ossinhos do ouvido (martelo, bigorna e estribo) com o estribo em destaque
Ilustração: martelo, bigorna e estribo — a cadeia que leva o som para dentro do ouvido

O que dizem os estudos

0,04–1%
prevalência clínica estimada na população branca
2:1
mulheres acometidas para cada homem
5–9%
de todas as perdas auditivas são causadas por otosclerose (18–22% das condutivas)

Os números variam bastante entre populações: a doença é mais comum em pessoas brancas, rara em pessoas negras e asiáticas, e acomete mulheres cerca de duas vezes mais do que homens. Estudos de osso temporal mostram que muitas pessoas têm a alteração óssea sem nunca desenvolver sintomas — só uma fração dos casos evolui para perda auditiva de fato.

Sinais e sintomas

Como é o diagnóstico

A suspeita nasce na consulta: história de perda auditiva progressiva em adulto jovem, com exame do ouvido normal. A audiometria mostra o padrão típico de perda condutiva ou mista, e a timpanometria ajuda a avaliar a mobilidade do sistema. A tomografia do ouvido pode ser usada para confirmar e planejar o tratamento.

Tratamento

Há três caminhos principais: acompanhamento (quando a perda ainda é leve), próteses auditivas e a cirurgia do estribo — a estapedotomia, que substitui a parte fixa do estribo por uma prótese finíssima e devolve a transmissão do som. Na literatura, séries grandes de cirurgiões experientes relatam fechamento quase completo do gap audição-osso em mais de 90% dos casos. A escolha é sempre individual, feita depois de entender teus exames, tua rotina e tuas expectativas.

Tema de pesquisa: a otosclerose e a cirurgia do estribo são a área de dedicação acadêmica do Dr. Caio — sua dissertação de mestrado na UFRGS analisou os resultados auditivos de estapedotomias. Conhecer a trajetória completa

Perguntas frequentes

Otosclerose piora com o tempo?
Na maioria das pessoas, sim: a perda auditiva costuma progredir lentamente ao longo dos anos. O ritmo varia muito de pessoa para pessoa.
Otosclerose é hereditária?
Há predisposição genética, com padrão frequentemente dominante de transmissão — é comum haver outros casos na família. Nem todo mundo que herda a tendência desenvolve a doença.
Gravidez piora a otosclerose?
Algumas pacientes percebem piora da audição durante a gestação, possivelmente por influência hormonal. Se tens otosclerose e planejas engravidar, vale acompanhar a audição.

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Cada ouvido conta uma história diferente. A conduta certa para o teu caso sai da consulta, com exame e escuta com calma.

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